Você sabia que existem homens que se entendem "Irmãos de Maria"? O que os leva a isto? – Pois não é comum um homem, profissionalmente ativo no meio do mundo de hoje, entender-se "Irmão de Maria".

Estes homens consideram relevante a missão da Mãe de Deus e acreditam que esta missão continua até a conclusão da história humana.

A partir desta visão eles optam a cooperar com Maria, colocando-se inteiramente a sua disposição na execução de sua tarefa, que é acompanhar Cristo e cooperar com Ele na Obra da Redenção.

Concretamente acontece isto pelo aprimoramento de si mesmo, da vida em comunidade, e por meio das diversas atividades profissionais de cada um. Estes "homens marianos" pretendem cooperar na construção de um mundo como Cristo o deseja.

Os Irmãos de Maria acreditam, com o seu Fundador, que a Mãe de Deus estará cada vez mais no enfoque dos acontecimentos, já que ela, segundo a concepção católica, representa junto com seu Filho, a humanidade diante de Deus e Deus diante a humanidade.

"Irmão de Maria", portanto, não é apenas um nome, mas expressa que seu portador pertence ao círculo mais estreito dos cooperadores da Mãe de Deus em Sua tarefa universal e permanente.

Esta página de Internet pretende servir de informação sobre os Irmãos de Maria para a Família de Schoenstatt, aos círculos da nossa Igreja e demais interessados.

O Fundador, Pe. José Kentenich, reza para que tenhamos milhares de Irmãos de Maria que, como Maria, cooperem com Cristo.



A Fundação

                                                                    

Campo de Concentração de Dachau 16 de julho de 1942


Padre José Kentenich fundou os Irmãos de Maria de Schoenstatt, juntamente com Eduardo Pesendorfer, durante a segunda guerra mundial (1939-1945), sendo ambos prisioneiros no Campo de Concentração de Dachau, Alemanha.

Perto da cidade de Dachau, próximo de Munique, no sul da Alemanha, foi construido, em 1933, pelo governo nazista, o primeiro Campo de Concentração. O Padre José Kentenich foi preso lá a partir de março do ano de 1942, época mais terrível neste campo. Ele o descreveu como Cidade de Pagãos, Cidade de Escravos, Cidade de Loucos e de Mortos.

Neste "inferno" de Dachau o prisioneiro não valia nada, era o lixo da sociedade. Mas, deste "lixo", deste "nada", nasceu a comunidade dos Irmãos de Maria - e uma vez mais confirmou-se: "Deus cria suas obras do nada. Deus ama o nada, Deus procura o nada, Deus usa o nada" (José Kentenich, 1950).


O ideal

O Fundador, Pe. José Kentenich, escreve aos Irmãos de Maria:

O ideal do Irmão de Maria contém três dimensões: o ideal da vocação laical, o ideal da profissão laical, o ideal da missão laical.


Vocação Laical

Com "vocação laical" Pe. Kentenich visa o chamamento a homens que considerem e assumam seu "ser leigo" como vocação.

Este "ideal da vocação laica" pode-se explicar dentro do seguinte contexto:

O desenvolvimento religioso-cristão, cultural, científico e tecnológico do ocidente nasceu, em parte considerável, dos monges que, fixaram e organizaram o povo em volta de seus numerosos mosteiros. Toda esta atividade foi guiada pelo lema "Ora et labora", que gerou uma cultura vinculada aos conceitos cristãos. Os leigos eram capacitados a desenvolver suas obras neste mundo em harmonia com o mundo sobrenatural que produziu as obras maravilhosas que até hoje admiramos.

No decorrer dos tempos o mundo leigo afastou-se de seus vínculos sobrenaturais e com isto perdeu quase por completo, em todas as suas obras, o ponto de referência: Deus. Neste processo de afastamento, que se iniciou na Europa e que se alastrou, depois, ao mundo inteiro, deixou-se de lado o elemento vital da cultura: a união com o Criador. O fato de a humanidade ter chegado hoje à iminência da crescente ameaça de auto-destruição deve-se a esta perda.


Profissão laical

Com a expressão "profissão laical", Pe. Kentenich refere-se à vida profissional e aos campos de trabalho do Irmão de Maria.

Todas as profissões, com princípios éticos compatíveis, podem ser seu campo de trabalho.

O Irmão de Maria pode trabalhar em técnicas e engenharias, na área da pedagogia, saúde, administração, na ciência, arte, economia, política, prestação de serviço, ...

É indispensável que ele esteja profissionalmente definido e engajado e que seja um profissional competente.


Missão laical

Esta existência laical, que o Irmão de Maria assume por vocação, torna-se para ele missão: "missão laical".

O religioso tem uma missão, o sacerdote tem uma missão, o leigo tem uma missão. O Irmão de Maria enquadra-se entre os leigos e encara como sua missão cooperar com o mundo leigo para criar em toda parte, especialmente no âmbito profissional, mentalidade laica cristã.

Esta mentalidade é questão de sobrevivência para o mundo de hoje. Ela tem por objetivo detectar os planos de Deus e ajustar a complexidade da vida moderna conforme estes planos. A maioria das decisões em nosso mundo são tomadas nos círculos profissionais. Portanto precisa-se operar, justamente aí, a partir de uma mentalidade que tenha por supremo critério os planos de Deus. Deste ponto de vista entende-se porque o Irmão de Maria visa uma definição profissional e precisa ser um profissional competente.

O Irmão de Maria não abandona o mundo, mas o assume.
Uma legítima mentalidade laica cristã deve ser desenvolvida, vivida e implantada nos corações dos homens em vista de uma ordem social cristã.


A Espiritualidade


O leigo cristão alimenta sua espiritualidade a partir de seu estar e de sua vivência no mundo.


A criação o faz lembrar de Deus. Os elementos emitem suas mensagens com línguas eloqüentes aos receptores humanos. Tudo fala de Deus, e está à espera de acolher ressonância.


Além de abastecer as finalidades práticas do homem, a criação quer nos ajudar a entrar em contato com Deus. Ele colocou sua mensagem também nos mínimos detalhes. Toda criação e tudo o que nela acontece é de fato uma linguagem de Deus e por isso uma legítima fonte para alimentar a vida espiritual.


O alimento espiritual do religioso e do sacerdote é outro: meditações, celebrações, a grande oração das horas, a administração dos sacramentos, estudos religiosos, iniciativas pastorais, etc. Nesta ocupação encontram, também, a principal fonte para alimentar sua vida espiritual. O leigo também se alimenta desta fonte, comparte a palavra de Deus e os Sacramentos, mas o sustento típico para sua vida espiritual vem do mundo, porque nele e com ele lida a vida inteira.

Quem possui genuína mentalidade laica cristã, vive vinculado de coração às realidades deste mundo mas sabe que não é deste mundo. Assume este mundo a partir de um outro mundo e tem por missão executar sua obra junto com os elementos desta criação para elevá-los, no próprio coração, até Deus.


Opção por Cristo


Imagine-se um jovem que tenha uma vida promissora pela frente: independência, formação, emprego, ..., aceita sua vocação e opta para ser um Irmão de Maria.

Com isto ele segue a Cristo como Maria, na virgindade, obediência e pobreza.

Deus não exige tal opção de ninguém, trata-se apenas de um leve desejo. É um plano que Ele tem de muitas pessoas, as quais solicita esperando uma resposta livre e generosa.

A criatura humana não pode fazer algo melhor para ele mesmo e para os outros do que procurar a realizar os desejos de Deus. Somente nisto encontrará felicidade e realização.

Quem optou começa uma caminhada em que está sempre na busca de realizar os projetos de Deus, e estes são grandes e sua execução significa uma aventura com muitas surpresas.


Virgindade


O Irmão de Maria opta pela virgindade e renuncia à esposa e a filhos próprios.

Não poderia arriscar-se a uma tal "agressão" à natureza humana – que foi feita para ser complementada por uma companheira – se a Mãe de Deus e seu Filho não tivessem indicado este caminho.

No plano da criação a virgindade não estava prevista. Mas faz parte do plano da salvação, a partir de Cristo e Maria. Com seu exemplo mostraram que a virgindade vem a ser um desejo de Deus.

Trata-se de algo sobrenatural que aponta para o "novo céu e a nova terra" e quem decide-se por ela, antecipa a vida do mundo futuro-eterno. Nele não haverá casamento. Haverá um só esposo, Cristo, e uma só esposa: todos aqueles que Ele conquistou e que cooperaram com Ele. Com grande afeição, Jesus sugere ao jovem entregar-se, com todo seu potencial de amor, radicalmente a Ele e segui-Lo (Mt 19).

A Virgindade é uma opção que libera o homem para uma relação direta com Deus e seu Reino. Foi através da virgindade que Deus nasceu para o mundo!

Virgindade! – para o mundo é uma loucura,
para Deus um plano de amor!


Obediência


Um jovem encontra-se independente, livre de qualquer amarra, decide as coisas como bem entende, ... e descobre sua vocação de Irmão de Maria.

A partir de agora, coloca toda sua independência à disposição e está atento, a toda hora, ao que Deus deseja. Não é mais ele próprio que determina os seus caminhos, mas um "outro": Deus. Desta forma, a vida se torna fecunda.

Deus manifesta sua vontade de muitas maneiras: pelas circunstâncias e acontecimentos, pelo feitio de todas as coisas, pela voz do tempo e do próprio coração e pelas autoridades legalmente constituídas nas comunidades, na Igreja e no mundo.

Deus exerce grande influência por meio daqueles que se sujeitam à Sua vontade, isto é por meio dos humildes. Humildade é algo corajoso, é a mais heróica de todas as virtudes.

Obediência! – para o mundo é uma loucura,
para Deus um plano de amor!


Pobreza


Ao decidir-se por sua vocação, o Irmão de Maria opta pela pobreza. Desprende-se do apego desordenado às coisas do mundo e as assume como um administrador responsável.

Tudo o que ganha com seu trabalho entrega à sua comunidade como sendo sua família, pela qual assume a responsabilidade. Isto vale para todos, independente de quanto ganham. Recebem depois uma mensalidade, igual para todos, e, periodicamente, prestam contas de suas receitas e despesas. No meio dos recursos que o mundo lhe oferece, o Irmão de Maria opta livremente por esta forma de pobreza.

Pobreza! – para o mundo é uma loucura,
para Deus um plano de amor!


O Irmão de Maria opta pela virgindade em favor do Reino de Deus; opta pela pobreza em favor de riqueza espiritual; opta pela obediência em favor da liberdade dos Filhos de Deus.


O modelo


Os Irmãos de Maria aspiram o "Novo Homem" redimido por Cristo, segundo o modelo de Maria.

O nome "I
rmão de Maria" expressa sua identificação com Maria e sua missão: Permanente Companheira e Cooperadora de Cristo em toda a Obra da Redenção. Ao decidir-se por sua vocação, o Irmão de Maria se põe a serviço desta missão.

A Mãe de Deus é um modelo tão universal que todos os homens e mulheres podem se encontrar nele. Mas, um homem pode e deve assumir, como modelo, uma mulher? Em nossa relação com Cristo não há distinção de sexo!

Deus tem uma idéia sobre cada pessoa referente ao seu ser e agir. Por seu ser, Maria é Companheira de Cristo. Por seu agir, ela é Cooperadora de Cristo. O mesmo ideal aspira o Irmão de Maria: acompanhar Cristo e cooperar com Ele. Associado à Mãe de Deus, em aliança com Ela, ele, em última análise, quer como Maria acompanhar Cristo e cooperar com Ele na Obra da Redenção.

Isto significa uma relação direta e exclusiva com Ele e justamente isto faz o Irmão de Maria renunciar ao matrimônio e seguir a Cristo. Todo potencial de amor é dirigido a Ele e a sua Obra da Redenção.


O Vínculo


A este aspecto, pouco conhecido, o Fundador dos Irmãos de Maria deu muita importância. Não é tanto o estilo de vida que distingue o Religioso do Leigo mas o princípio como se vincula.

A seguir vamos mostrar como este ponto de vista é importante, pois oferece solução para muitos problemas. Nos habilita e nos ajusta nas atividades e faz com que tenha base em Deus.

Vamos desenvolver este assunto em quatro capítulos bem resumidos sob os títulos:


Contrato


Não se costuma chamar o Irmão de Maria de "Irmão" porque, de fato, não é um Religioso, mas um leigo.

O Religioso vincula-se à sua vocação pelo voto. O Irmão de Maria vincula-se por meio de um contrato com seu Instituto. No mundo dos leigos as coisas são contratadas e os procedimentos determinados segundo estes contratos. No mundo dos Religiosos se faz votos e se procede conforme os votos. O religioso que não assume seu voto, agride a ordem de Deus. O leigo que não assume seu contrato também agride a ordem de Deus.

O Religioso faz votos diante de Deus, comprometendo-se pelos Conselhos Evangélicos: virgindade, obediência e pobreza. Dispõe assim de uma poderosa ferramenta para o seu comportamento. O Irmão de Maria contrata com seu Instituto os Conselhos Evangélicos e permanece leigo justamente por isto.

O contrato realiza-se entre dois componentes humanos. O voto realiza-se entre homem e Deus. Por isso o voto é confirmado pela autoridade da Igreja. O contrato é confirmado, pelo consentimento dos componentes humanos que o celebram.

Quando o Irmão de Maria assume viver a virgindade, a obediência e a pobreza, faz, no fundo, dois contratos ao mesmo tempo: um contrato jurídico e um generoso. Com a Comunidade o Irmão de Maria faz um contrato jurídico, com a Mãe de Deus um contrato generoso-gratuito. "Gratuito" quer dizer: os que contratam contribuem livre e generosamente para o objetivo do contrato.


Uma solução


Em nossa vida fazemos inúmeros contratos: contratos de compra e venda, contratos de aluguel, contratos de matrimônio, contratos internacionais, etc. As coisas ocorrem dentro de contratos e nada funciona sem assumí-los e sem cumprir fielmente seus objetivos.

A solução seria esta: O compromisso que se assume frente aos homens se assume também frente a Deus. Somente vinculados a Deus, somos capazes de assumir o que contratamos com os homens. Quando os contratos entre os homens são assumidos também frente a Deus, une-se o mundo natural ao sobrenatural.

O homem cristão caracteriza-se, neste assunto, justamente pelo fato que leva seus contratos ao sobrenatural. Contratando com os homens significa para ele ao mesmo tempo contratar com Deus. Desta união do natural com o sobrenatural deriva uma força ética para todas as suas obras.


Habilitação


Somente em aliança com Deus temos condições para cumprir, de forma devida, os nossos contratos, assumir os nossos compromissos, guiar-nos pelas regras da sociedade, pela "ordem do ser" e assumir as leis e conveniências.

Nosso ser está inteiramente enraizado no mundo de Deus, sabendo ou não sabendo, querendo ou não querendo. Sem considerar esta realidade, simplesmente, não podemos, a longo prazo, manter a nossa existência. Encontramo-nos numa dependência total.

Trata-se de abraçar esta condição e de nos abrir à aliança que Deus, em sua bondade, nos oferece. Somente conectando, com liberdade, todo nosso ser e agir a Deus, dizendo "sim" à aliança oferecida por parte Dele, seremos habilitados para assumir todos os nossos compromissos.


Base


Um trabalho profissional, por exemplo, realizado dentro deste espírito, tem base, tem um suporte divino, porque é fundamentado em Deus. Desta forma o trabalho humano se torna uma participação na atividade criadora de Deus. Aliados com Deus, Deus trabalha conosco.

Sem este suporte, sem esta base, será difícil executar qualquer trabalho dentro dos planos de Deus, porque o "príncipe deste mundo" teria livre acesso às nossas deliberações e às nossas atividades.

Toda obra humana não aliada com Deus, torna-se, mais cedo ou mais tarde, participação na atividade diabólica. O demônio pretende destruir o mundo, usando o homem, por meio de obras bem apresentadas, as quais no fundo, porém, visam a destruição.

Se, em aliança com Deus já estamos sujeitos a muitos erros, como ficaríamos, se desconectados Dele?!


Comunidade familiar


Quando o jovem descobre sua vocação de Irmão de Maria, deixa seu pai, sua mãe, seus irmãos, seu lar – mas aquilo que deixa encontra novamente, de outra forma, na Família dos Irmãos de Maria.

Quem opta por esta Família, entrega-se totalmente a ela e assume os seus objetivos. E a Família por sua vez assume inteiramente seus membros, zelando, a vida inteira, pelo bem de seu corpo e de sua alma.

Os Irmãos de Maria são uma comunidade que se estrutura em pequenos grupos (Filiais) que vivem, como uma família no meio do mundo, partilhando entre si uma moradia de onde cada um vai ao seu trabalho. Em casa ocupam-se com o cultivo de espírito, com a oração, com os trabalhos práticos de um lar, com horas de lazer e diálogos entre si.

A estes grupos são vinculados também os Externos que vivem sozinhos. Periodicamente eles reúnem-se em suas pequenas comunidades para se abastecer de espírito e vida familiar.

Cada Irmão de Maria pertence a uma destas comunidades e também a um Curso que é formado por aqueles que ingressam e se formam na mesma época.


Vocação vivida


Em comparação com as grandes Comunidades e Movimentos dentro da nossa Igreja, os Irmãos de Maria são quase imperceptíveis. Mas mesmo assim, esta comunidade tem para apresentar uma personalidade "canonisável": o Chileno Mario Hiriart. O próprio Fundador colocou-o como exemplo de Irmão de Maria e como um modelo de homem do mundo moderno.

Gostaríamos apresentar também o jovem Brasileiro Paulo Tochetto de Oliveira – sem querer colocá-lo ao mesmo nível de Mario – pois sua vida e sua conversão não deixam de ser um exemplo, especialmente para o jovem.


MarioHiriart

(1931-1964)


Chileno, Engenheiro, Irmão de Maria – com 24 anos de idade, estava a procura de sua vocação. Frequentemente dirigia-se, em diálogo, a Mãe de Deus para resolver este assunto. Tratava-a de "Madrecita" (Mãezinha) e com ela conversava simplesmente tudo. Os seguintes trechos de seu diário revelam um pouco da busca de sua vocação.


"Madrecita, ... devo preocupar-me ... a respeito do meu problema vocacional. Creio que existem razões expressivas que me fazem tender mais para a vida de Irmão de Maria do que para o matrimônio. ..." (março de 1955).


"1. Cada dia compreendo mais claramente: o único que me satisfaz plenamente é a entrega por inteiro ao mundo sobrenatural, ao apostolado e particularmente a dedicação ao Movimento. ... Tudo isto parece exigir uma entrega absoluta ao Movimento, com total liberdade, sem nenhuma restrição de tipo natural, e é evidente: ter uma família e a responsabilidade de cuidar dela seria um forte impedimento para um trabalho desse tipo.

2. Atrai-me também a possibilidade de desenvolver, como Irmão de Maria, uma vasta obra cultural, para a qual, com certeza, não teria tempo como cabeça do meu lar. ...

3. Sem duvida, o obstáculo mais sério para tomar de imediato a decisão de vir a ser Irmão de Maria é que, afetivamente, não me satisfaz. O contato com as moças, e em particular com Alicia, e o amor que ela despertou em mim, tem me causado uma vontade enorme de satisfazer, com o amor por uma mulher, essa imensa capacidade de amar, que Deus colocou em nós. Sei que essa complementação pode obter-se e deve se obter, em maior medida, no mundo sobrenatural, mas não tenho conseguido me animar para isso. ..." (14.03.55).


"Sinceramente, cumpre-me confessar que o matrimônio me atrai mais, sobretudo porque promete um lar agradável e aconchegante, afetos, abrigo humano e tudo que vem a satisfazer a parte afetiva do meu ser. Este lado afetivo predominou cada vez mais em mim, sem que fosse preenchido humanamente. Mas devo perguntar-me, igualmente, a este respeito: Em que medida essa atração se deve mais a uma pessoa concreta do que ao ideal em si mesmo?..." (25.10.54)


"É, tenho essa ânsia tão imensa de amar e de ser amado, Madrecita! Mas, com todos esses acontecimentos, me demonstraste, com total clareza, que essa sede de amor não pode ser satisfeita por pessoas humanas; chega-se ao ponto em que somente o sobrenatural pode preenchê-la; somente em ti e em teu Filho encontro e encontrarei satisfação. Por isso, Madrecita, a decisão final se impôs imediatamente e, à noite mesmo, nas minhas horas de insônia, tomei-a no íntimo do meu coração; te oferecerei, Madrecita, minha virgindade, de corpo e de espírito, para o resto dos meus dias – só Deus sabe se serão poucos ou muitos – para me dedicar por inteiro ao teu serviço, ao teu amor e ao amor pleno aos homens, por ti, como Irmão de Maria, ...

Na minha primeira visita ao teu Santuário, Madrecita, que espero seja amanhã mesmo, farei formalmente a entrega da minha promessa na frente do teu altar. ..." (10.05.55).


Alguns de seus amigos e conhecidos decidiram-se pelos estudos de teologia, queriam tornar-se sacerdotes. Para Mario esta opção vocacional nunca foi relevante. Ele via seu caminho e sua tarefa pessoal claramente como leigo. Procurou descobrir o seu caminho, desejado por Deus, para seu futuro pessoal e assumiu sua profissão de engenheiro como Irmão de Maria.


Seu Ideal Pessoal foi se desenvolvendo. Formulou-o com estas palavras:

"Como Maria, cálice vivo, portador de Cristo!"


"O que eu queria com meu Ideal Pessoal, era abrir toda minha natureza para a graça. Por esta razão, interessam-me todas as manifestações mais características do natural, ... mas para sobrenaturalizá-las. ... Assim, meu Ideal Pessoal é um contínuo voltar-se à natureza; ..." (11.11.57).


"Quero ser um vivo encontro entre o céu e a terra! ... O que a gente não é, não irradia. O essencial de um Irmão de Maria pode ser formulado de muitas maneiras. No meu ponto de vista, olhando para o meu próprio Ideal Pessoal, eu o expressaria dizendo que é o leigo que, a exemplo de Maria, une em si o natural com o sobrenatural; ou, mais exatamente, aquele que, através do seu ser, ordena o mundo natural em função do sobrenatural." (14.09.61).


"Muitos homens, ao chegarem ao fim de sua carreira profissional, se dão conta da futilidade e do vazio de tudo o que estudaram, do pouco que isto representa e contribui para o sobrenatural. Restam então dois caminhos a seguir: o primeiro é abandonar este caminho tão débil em suas raízes e dedicar a vida inteiramente a serviço de Deus, através da vida religiosa; o segundo é a sobrenaturalização da profissão. ... Qual destes caminhos é o meu?" (25.05.1953)


"... Assim como o percebo hoje, o caminho de minha vocação baseia-se na convicção pessoal de que o Cristianismo da nossa época necessita, de maneira absoluta, um grau extraordinário de santidade laica. Esta santidade há de expressar-se numa vocação e decidir-se por uma tarefa e missão no mundo laico; deve ser aperfeiçoada por um conceito teocêntrico da vida laica e realizada com heroísmo igual ou maior ainda que o dos maiores mártires da Igreja. ..."


"O que a Igreja precisa para vencer as heresias da nossa época, são engenheiros que mudem radicalmente os conceitos atuais das engenharias, que os ponham em dependência de últimos princípios e os vivam até as mais sérias conseqüências." (1957)


"Nestes sinais do tempo temos a obrigação de ler a vontade de Deus. Esta vertiginosa fuga de Deus não pode ser a Sua vontade. A época teocentrífuga há de terminar, para dar espaço a uma era teocêntrica: O mundo laico precisa imbuir-se com espírito religioso; os dois planos devem coincidir novamente.

Enfrentamos assim uma tarefa gigantesca: trata-se de recuperar todo o terreno perdido durante vários séculos de história e com certeza este será também um trabalho de séculos. É um trabalho de incorporação de todos os valores culturais e humanos a uma concepção cristã universal. Ao separar-se do Cristianismo eles perderam seu centro. ..." (1957)



Paulo Tochetto de Oliveira
(1962-1985)


Santa Maria RS, 02 de fevereiro de 1984, festa da Candelária: Paulo, 22 anos de idade, despede-se de sua família: de seu pai, de sua mãe, de seus irmãos. Qual é o motivo? Descobriu que Deus o chamou a ser Irmão de Maria – o primeiro Irmão de Maria brasileiro.

Nasceu no dia 7 de setembro de 1962 – Independência! – Paulo travou sua luta de independência: independente de costumes, de regras, de religião, de disciplinas, de ordem, ... quis fazer as coisas como bem entendia, quis ser livre de "imposições". Mas a luta por esta independência de tudo converteu-se, cada vez, mais em dependência.

Após um encontro de jovens no Centro Tabor entendeu o que é liberdade: Ser livre para o grande plano de amor que Deus tem para cada pessoa! Paulo entendeu: Deus guarda no seu coração um eterno plano de amor para comigo. A partir daí travou a verdadeira batalha de liberdade: Livre de si e livre para Deus! Esta foi a luta e esta foi a grande virada em sua vida.

Auto-educação! Nos seus cadernos passa a escrever com uma letra mais legível. Chega a cumprir horários; levanta mais cedo; arruma seu quarto; ordena todas as suas coisas; na mesa já come o que antes detestava. Vence a escravidão frente à TV. Frequenta novamente a Igreja e muito mais.

Inscreve-se num Curso de Crisma e é crismado. Daí em diante o Espírito Santo sopra nas velas de seu barco: Paulo desenvolve um empenho apostólico entre os colegas de seu curso na Universidade, entre seus amigos e jovens em geral. Ajuda, serve e procura transmitir sua própria experiência. Além disso organiza também grupos de jovens e vai às vilas e capelas para atendê-los.

No fim do ano de 1982 formou-se em Farmácia e Bioquímica na UFSM e em 1983 fez a especialização como farmacêutico industrial. Seus colegas atestam: "Paulo era competente e um entusiasta por sua profissão". Tinha grandes planos para sua futura vida profissional. Seu entusiasmo e capacidade profissionais prometiam-lhe uma excelente carreira.

Quando os colegas souberam que Paulo entrara no Instituto dos Irmãos de Maria disseram-lhe: "Agora tudo o que você e o governo investiram em sua formação profissional está perdido. Você poderia ter sido um bom profissional para servir a comunidade".

Paulo respondeu: "Justamente este é um dos motivos porque me decidi a ser Irmão de Maria: para que eu possa ser um melhor profissional ainda e servir melhor a comunidade" (são palavras dele na ocasião de um acampamento de jovens em Santo Ângelo, RS). Mas os colegas não o compreendiam. Sacudiam a cabeça dizendo: Então o Paulo vai ser padre, não dá para entender". Este mal entendido, esta confusão a respeito de "Padre" e "Irmão", fê-lo estudar a fundo as duas vocações e como resultado reforçou a sua identificação com a vocação de Irmão de Maria.

Paulo desprendeu-se temporariamente de seus assuntos profissionais, pelos quais ele vibrava, e dedicou-se inteiramente à sua formação vocacional, dentro do Instituto. Para isso dois anos foram previstos e, no fim do ano de 1985, iria encaminhar sua vida profissional de farmacêutico como Irmão de Maria.

Nesta época houve um contínuo progresso no crescimento de sua personalidade. Pode-se repetir os termos que o Pe. Kentenich usava para caracterizar Mario Hiriart: "claro no seu pensar, disciplinado, dedicado ao seu trabalho e religioso até o seu inconsciente". Nitidamente podia-se observar em Paulo o crescimento nestas quatro características.

No seu pensar procurou realmente plena clareza das coisas e expressava-se com entusiasmo cada vez que descobria conexões e últimas razões no seu raciocínio.

Podia-se observar uma notável e crescente disciplina nas coisas pequenas do seu dia-a-dia. Como se dedicava a serviços humildes, como atendia às pessoas, como se organizava em todas as suas coisas... Seu crescimento na dedicação ao trabalho também merece destaque: As matérias que recebia todos os dias de manhã eram passadas a limpo a tarde. Não só as copiava, mas refletia sobre o assunto e muitas vezes apresentava, no outro dia, o resultado.

Não podemos julgar até que nível Paulo cresceu em sua religiosidade. Mas o que ele disse 24 horas antes de sua inesperada morte, logo após o enterro de Sr. João Pozzobon, apóstolo da "Campanha da Mãe Peregrina", permite enxergar fundo: "Se hoje ou amanhã chegar a minha vez, estou pronto". Assim ele falou, numa conversa espontânea com amigos.

Domingo, dia 30 de junho de 1985
Chuva o dia inteiro. Paulo está sendo velado no Santuário Tabor de Santa Maria. Após a missa todos se reúnem no cemitério Sta. Rita, em volta de um túmulo aberto; entre eles muitos jovens. Repentinamente sopra forte um vento sul, espanta as nuvens de chuva e o sol no poente inunda o céu em cor de fogo. ...

Paulo volta à terra como semente para a fundação dos Irmãos de Maria no Brasil e como fundamento para um novo Santuário.


Sinais de vocação


Os seguintes sinais poderão indicar para a vocação de Irmão de Maria:

Quando empolgado pela profissão, pela lida com as coisas do mundo e, ao mesmo tempo, inclinado às coisas religiosas.

Quando optou-se, de um lado, por uma determinada atividade profissional e de outro lado sente-se forte impulso apostólico.

Quando inclinado pela castidade e apreciando-a como solução para muitos problemas do mundo de hoje.

Quando se está a fim de usar adequadamente os recursos deste mundo, para assim oferecer uma resposta vivida ao consumismo desenfreado em nossa sociedade.

Quando aberto e disposto para a obediência, que pretende acatar o plano de Deus em todas as situações da vida.

Quando, nas horas de silêncio e de solidão, a voz de Deus se torna cada vez mais clara, falando sobre Seu plano.

Quando se escuta a voz de Deus, através dos acontecimentos do mundo e da própria história, solicitando cooperação.

Quando Deus através do idealismo e radicalismo juvenil, convida insistentemente a tomar decisões; ... A este respeito precisa-se saber que todo jovem possui, por natureza, grande idealismo e radicalismo. Estas propriedades seriam para demarcar a vida e começá-la segundo o projeto de Deus. É um impulso inicial que Deus dá ao jovem, que os adultos, muitas vezes já resignados, nem sempre compreendem e que, às vezes, condenam. Dizem que isto é bobagem e que logo o jovem vai se acomodar na vida. Em verdade, idealismo e radicalismo são indicadores de uma vocação, muitas vezes além do convencional. Este impulso é tão forte que o jovem é capaz de abandonar os padrões da sociedade.

O idealismo abre os olhos do jovem para entender o plano de Deus e o radicalismo é precisamente a força de arranque para a sua realização durante a vida.


Atributos de vocação


Quando o jovem está se definindo na busca de sua vocação, precisa conferir se corresponde aos atributos necessários. A vocação do Irmão de Maria requer o seguinte:

Compromisso com a Igreja, sua doutrina, suas leis e tudo que ela oferece.

Identificação com a Obra de Schoenstatt, em especial com a Nossa Senhora, a Mãe Três Vezes Admirável, o Fundador, Padre José Kentenich, e o Santuário de Schoenstatt.

Compromisso com o mundo, pois ao entrar no Instituto dos Irmãos de Maria não se foge do mundo mas se assume o mundo.

Determinação e capacidade para uma atividade profissional.

Decisão pela castidade durante a vida inteira.

Saúde de corpo e de alma.

Condições para desenvolver uma cultura espiritual na própria vida, na comunidade e nas circunstâncias onde se vive.

Personalidade capaz de viver em comunidade ou também sozinho no meio do mundo.

Todos estes atributos não são entendidos e nem exigidos em grau de perfeição, mas como um potencial a desenvolver.


Plano de cultivo da vocação


A vida dos santos mostra que Deus desperta as vocações através de múltiplos sinais. E quando se percebe a vocação, é preciso começar a cultivá-la quanto antes. Paulo Tochetto de Oliveira, por exemplo, se propôs, antes de entrar na comunidade, viver um ano assim como um Irmão de Maria vive. Isto significa cultivar a vocação.

A Comunidade, para cultivar as vocações, estabeleceu para seus candidatos o seguinte plano de formação:

  1. Postulantado (meio ano),

  2. Noviciado (dois anos),

  3. Primeiro Terciado (meio ano de formação intensiva)

  4. Segundo Terciado (meio ano de formação intensiva)


Este plano de formação realiza-se durante 8 anos e meio.

  1. Meio ano – Postulantado – tempo de introdução na Comunidade.

  2. Dois anos – Noviciado – tempo de aprofundamento na vocação. Neste período procura-se, durante nove meses, o máximo de recolhimento e nos 15 meses que seguem (noviciado aberto) se assume alguma atividade profissional ou dedica-se a formação profissional. No final do Noviciado se faz o contrato para um ano.

  3. Três anos – Aprofundamento na vocação no meio de atividades profissionais. Durante estes três anos se faz o contrato para dois anos e no fim deste período se realiza o Primeiro Terciado e se faz o contrato para 3 anos.

  4. Três anos – Aprofundamento na vocação no meio de atividades profissionais e no fim deste período se realiza o Segundo Terciado e o Contrato Perpétuo.



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Brasil



O Fundador reza para vocações dos Irmãos de Maria


"Querida Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt! O projeto dos Irmãos de Maria está no ar; a época exige sua realização."


"Concede a tua bênção e faze-nos crescer numerosos como areia do mar. Chegue o tempo em que possamos ser por toda parte caso exemplar para o mundo laico e também assumir profissões chaves para influir nos acontecimentos do mundo." (14.03.1963)


foto do dia 24 de dezembro de 1965



APROFUNDAMENTOS


Junto com este Fundador acreditamos que os tempos futuros serão tempos marianos em que a missão de Maria aparecerá cada vez mais claramente e em que Ela conduzirá muitos para o Reino de seu Filho. O Irmão de Maria se põe totalmente a disposição para este trabalho.

Pe. Kentenich julgava os Irmãos de Maria tão importante que ele pessoalmente tomava iniciativa, por diversas vezes, para conquistar homens dispostos a iniciar esta comunidade. Ele tem, realmente, uma grande idéia desta fundação:

Homens que procuram formar-se e viver segundo o padrão universal de Maria e que trabalhem, mundo a fora, em todas as atividades, para vincular nestas atividades e em sua própria pessoa, tudo a Deus.

É uma vocação empolgante e gratificante para quem se entrega a ela.

Pe. Kentenich, convicto que a idéia sobre os Irmãos de Maria vem de Deus, convidou um homem, companheiro de prisão, para fundar junto com ele esta comunidade. Para que isto pôde acontecer empenhou um alto preço, pois foi ao Campo de Concentração com a idéia de fundar os Irmãos de Maria. O convite caiu em terra fértil e com isto se iniciou a comunidade.

Pe. Kentenich continua convidando para esta fundação; procura homens generosos e idealistas que aspiram empenhar toda sua vida para um nobre ideal, uma grande missão, a missão da Mãe de Deus. Você, jovem, que aprecia a castidade, não escuta no fundo de seu coração um chamado? Quem sabe, sua vocação é de Irmão de Maria. Vale a pena trabalhar para a missão da Mãe de Deus.





















 
Carisma e missão dos Irmãos de Maria
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